Uma dívida de R$ 1.000 no rotativo ou no parcelamento da fatura pode chegar a R$ 2.000 por causa dos juros e encargos. A regra atual impede que esses custos ultrapassem 100% do valor original, mas isso não transforma o cartão em crédito barato.
Quando a fatura aperta, é fácil enxergar apenas o pagamento mínimo. O problema é que o saldo restante entra em uma das modalidades mais caras do mercado. Mesmo com o limite legal, dobrar uma dívida já é um impacto enorme no orçamento.
Como funciona o limite de 100%
Desde 2024, os juros e encargos financeiros do crédito rotativo e do parcelamento da fatura não podem superar o valor principal da dívida. Se o saldo original financiado for de R$ 1.000, esses custos ficam limitados a outros R$ 1.000.
Isso significa que o total relacionado àquela dívida pode alcançar R$ 2.000. O Banco Central mantém uma página que permite comparar a proporção de juros cobrados pelas instituições.
É importante conferir o contrato e a fatura, porque impostos, novas compras, tarifas não relacionadas e outros lançamentos podem aparecer separadamente. O teto não é uma autorização para ignorar o vencimento.
Rotativo e parcelamento não são a mesma coisa
O rotativo é acionado quando a pessoa paga apenas parte da fatura e financia o restante por um período. Depois, a instituição pode oferecer o parcelamento do saldo. Em ambos os casos, é necessário observar o Custo Efetivo Total, não somente a taxa destacada.
--- Continua após a Publicidade ---
Uma parcela menor pode parecer confortável, mas um prazo longo aumenta o valor total pago. Antes de aceitar, eu compararia o CET, o número de parcelas e o total final com outras alternativas disponíveis.
O que fazer se não consigo pagar a fatura inteira?
- Pare de usar o cartão temporariamente para não misturar dívida antiga com novas compras.
- Confira na fatura o valor original, a taxa mensal, o CET e o total do parcelamento.
- Compare empréstimo pessoal, portabilidade ou renegociação apenas se o custo total for menor.
- Escolha uma parcela que caiba de verdade no orçamento, sem depender de novo rotativo no mês seguinte.
Pagar o mínimo resolve?
O pagamento mínimo evita o atraso total naquele momento, mas financia o saldo e gera juros. Ele pode ser uma saída emergencial, não uma estratégia recorrente.
A regra que limita os encargos protege contra o crescimento sem fim, porém não evita que a dívida dobre. Quanto antes o saldo for reorganizado, menor tende a ser o prejuízo.
Fonte: Banco Central — juros acumulados no cartão de crédito e explicação do limite para juros e encargos.
