Consumidora consulta o celular e o cartão durante uma compra no supermercadoImagem editorial ilustrativa.

Pagar apenas o mínimo do cartão ainda pode transformar uma fatura apertada em uma dívida muito maior. Existe um limite legal para os juros e encargos, mas ele não tornou o crédito rotativo barato — e essa diferença precisa ficar clara.

Eu sei como a opção de pagamento mínimo pode parecer um alívio quando o orçamento não fecha. O problema é que o valor restante entra no crédito rotativo ou pode ser parcelado pela instituição, acumulando encargos que pesam nos meses seguintes.

A dívida do cartão ainda pode dobrar?

Sim. Desde 2024, a soma dos juros e encargos financeiros no rotativo e no parcelamento da fatura não pode ultrapassar 100% do valor original que ficou em aberto. Em termos simples: uma dívida original de R$ 1.000 pode gerar até R$ 1.000 em juros e encargos financeiros, chegando a R$ 2.000.

Esse teto impede um crescimento sem fim, mas não representa desconto. Dobrar uma dívida continua sendo um impacto enorme para qualquer orçamento familiar.

Rotativo ou parcelamento da fatura?

O rotativo costuma ser acionado quando o cliente paga menos que o total e não adere a outra forma de financiamento. Pelas regras do cartão, a permanência no rotativo é limitada; depois, o banco pode oferecer o parcelamento do saldo.

O parcelamento pode ter taxa menor que o rotativo, mas não deve ser aceito sem comparação. Observe o CET, o valor final, a quantidade de parcelas e se novas compras continuarão pressionando a próxima fatura.

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O que fazer antes de escolher?

  1. Confira quanto da fatura você consegue pagar sem comprometer despesas essenciais.
  2. Compare o CET do parcelamento com um empréstimo pessoal mais barato.
  3. Veja o valor total da dívida, não apenas o tamanho da parcela.
  4. Pare temporariamente de usar o cartão, se as novas compras impedirem a quitação.
  5. Peça uma proposta formal antes de aceitar a renegociação no aplicativo.

Se houver dinheiro disponível, pagar acima do mínimo reduz o saldo que receberá juros. Porém, não vale deixar aluguel, alimentação ou contas básicas em atraso para quitar o cartão sem um plano.

A queda da Selic resolve o problema?

Não imediatamente. Embora a Selic influencie o custo do dinheiro, as taxas do cartão também refletem risco, inadimplência e a política de cada instituição. O rotativo pode continuar muito caro mesmo depois de uma redução na taxa básica.

Entenda o cenário no nosso artigo pilar: Selic caiu para 13,75%: o que muda no seu dinheiro, nos investimentos e nas dívidas. Se estiver comparando alternativas, veja também por que os juros dos empréstimos demoram a cair.

Minha leitura: o pagamento mínimo deve ser uma saída emergencial, não um hábito. Antes de confirmar qualquer parcelamento, procure a opção com menor custo total e estabeleça uma data realista para encerrar a dívida.

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação financeira individual.

Fontes: Lei nº 14.690/2023 e Banco Central — taxas de juros por instituição.

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Por Robson Rosembau

Robson Rosembau é o criador do Jornal & Mercado, portal dedicado a explicar finanças pessoais, crédito, cartões, contas digitais e renda de forma clara e acessível. Como pesquisador e produtor de conteúdo, consulta fontes oficiais e traduz informações financeiras para ajudar os leitores a tomar decisões mais conscientes. O conteúdo publicado possui caráter informativo e não substitui orientação profissional.